Segunda parte do texto sobre a relação de Fronteiras do Universo (de Philip Pullman) e As Crônicas de Nárnia.
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Atenção: Este texto contém spoilers da série Fronteiras do Universo e As Crônicas de Nárnia. A ordem dos livros de Nárnia utilizado neste texto, segue a sua publicação original.
Philip Pullman, seguindo sua linha polêmica, matou Deus no livro A Luneta Âmbar, terceiro da série Fronteiras do Universo, protagonizado por Lyra e Will. Porém, podemos observar algumas semelhanças do Pó, elemento que tudo cria na série de Pullman, com Deus e com Aslam.
Na série de Philip Pullman, o Pó não é uma divinidade, muito menos um animal. Ele é apenas um tipo de partícula que mantém tudo organizado. Ele se fixa nas pessoas quando elas deixam a infância, entrando na puberdade. Ele se fixa em seu dimon, que é a alma da pessoa, e passa do dimon até o humano. Os dimons de crianças podem mudar de forma, porém quando o pó fixa, eles perdem esta capacidade. Ninguém sabe como o Pó se formou, assim como ninguém sabe como Deus se fez. Em Nárnia, Aslam não é uma divinidade com suas origens misteriosas. Sabe-se que ele é filho do Imperador de Além Mar, e o Imperador de Além Mar, sua origem e forma é desconhecida.
A série de Philip Pullman é bem diferente da de Lewis. Philip Pullman é ateu, porém falha na suposta divulgação de sua idéia. O Pó é a idéia mais correta de Deus do que em Nárnia. O Pó é invisivel e fixa dentro da pessoa, assim como o Espírito Santo. Ele é invisível e é fixo dentro de nós. Além disso, o Pó liga um universo ao outro através de aberturas invisíveis assim como o Espírito Santo nos liga a um universo invisível de comunicação com Deus. Na série de Lewis, isso não existe, já que Aslam é o todo soberano e anda livremente pela terra de Nárnia (além de ter o poder de mudar de forma).
O urso de armadura Iorek Byrnison faz o papel do Aslam para com Lyra. Iorek é o rei dos ursos de armaduras, e tem uma amizade com a garota, já que ela o libertou das garras do Magisterium. Os dois tem um relacionamento de respeito e amizade. Em A Bússola de Ouro, Iorek tem um tipo de “contrato” com Lyra, e se dispõe a ajudá-la na missão de salvar as crianças rapitadas pelos Papões para as experiências de Intercisão (tirar a ligação dos dimons com as crianças, tornando as almas-animais em apenas seus bichos de estimação).
Iorek toma seu lugar como o verdadeiro rei da cidade dos Ursos de Armadura, já que ele foi exilado por um falso rei, Iofur, e reina com sabedoria junto aos seus ursos.
Iorek Byrnison está presente nos 3 primeiros livros da série “Fronteiras do Universo” (já que A Oxford de Lyra, Era uma vez no Norte e o futuro O livro do Pó integraram a coleção) e sempre ajuda as crianças (Lyra e Will) em momentos difíceis. Ele tem um papel importante na trama, e assim como Pantalaimon, tem uma personalidade interessante e cativante. Um dos momentos mais impressionantes do primeiro volume, A Bússola de Ouro é a luta dos ursos Iorek e Iofur pelo trono de Svalbard.
Iorek Byrnison, apesar de não ser um Deus como Aslam, faz muito bem o papel de um. Sábias palavras são ditas em horas certas. O Deus, na série, é o Pó. Aslam criou o mundo de Nárnia e o governa, já Iorek, apenas governa o Reino dos Ursos Polares (ou de Armaduras). Iorek não possui sentimentos humanos (até o terceiro volume da série) porém é justo e não se deixa corromper.
Quando encontramos com Iorek pela primeira vez, somos apresentados a um urso bêbado que é empregado de uma cidade. Sua história é triste, pois ele foi machucado e feito de escravo, quando na verdade é um rei. A primeira vez que vemos Aslan, ele é citado pelo Sr. Castor, e temos uma reação diferente quando lemos seu nome, assim como as crianças em Nárnia. Logo depois, conhecemos Ele: um leão. Ele transforma o inverno da Feiticeira em primavera, e deixa tudo no lugar, o que Iorek não é capaz de fazer em A Luenta Âmbar com seus ursos. Ele tenta levá-los para o Pôlo Sul, pois mudanças climáticas aconteceram, mas percebe que deve retornar ao Pôlo Norte pois não teriam condições de viver no Pôlo Sul. Mostra responsabilidade de Iorek, assim como Aslam é responsável com suas tarefas (Aslam cuida de vários outros mundos além de Nárnia, e sempre está verificando tudo para que tudo esteja na mais perfeita ordem).
Aslam se assemelha muito com Iorek, e Iorek com Aslam. Ambas são personagens muito marcantes e importantes para as séries. Lúcia se daria bem com Iorek e Lyra com Aslam, já que ambas se parecem bastante.
C. S. Lewis e Pullman tem suas maneiras diferentes de representar algumas coisas. Um ateu e um cristão. É de se pensar no motivo da série de Pullman conter elementos bíblicos diversos.
Ron é fã da série Fronteiras do Universo e de As Crônicas de Nárnia e resolveu criar o texto para falar sobre semelhanças entre as duas séries que os fãs de ambas insistem em colocar rivalidades.
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Ah, não é a gente que coloca rivalidade…
É o próprio Philip Pullman que fica falando o que não deve >.<
Gostei muito do texto
Você me fez ficar com vontade de ler Fronteiras do Universo O.o
Ótimo texto e ótimas observações!
As relações de Aslam X Iorek são realmente contrárias.
Acho que no final até podemos concluir que sem As Crônicas de Nárnia, Fronteiras do Universo não existiria. XD Inspirou-se em algo para criar o contrário daquilo.
Eu sou muito fã da série Fronteiras do Universo e li as duas matérias escritas sobre semelhanças e diferenças entre C. S. Lewis e Philip Pullman. Entre Lucy e Lyra, eu acho que não tem fundamento dizer que o nome de ambas começa com a letra L e que ambas tem 4 letras no nome. Tanto é que ambas são indiscutivelmente diferentes; e é claro que ambas têm uma missão, como em qualquer livro de fantasia e aventura, os personagens devem fazer alguma coisa, não é?
No último livro – “A luneta âmbar”- Metatron ( A chamada Autoridade) não é realmente deus. Ele é um anjo, o primeiro a ser criado, que acha que por ser o mais velho, o mais poderoso e o mais forte, se dá o direito de dizer que ele próprio é o Criador, quando, na verdade, seria o ser preso na liteira.
Quanto ao caso de Iorek Byrnisson e Aslan, na minha opinião, são semelhantes somente pelo fato de serem dois animais falantes e que auxiliam os personagens
principais.
Quanto ao Pó, ele não é o Deus da série ne mnada disso. O Pó é ( como a própria Lyra disse na série) “uma coisa que acende as pessoas”. É algo que dá aos humanos e aos seres racionais a capacidade de pensar e raciocinar. É o que nos difere do resto. A inteligência.
É só o que eu tenho a dizer por enquanto, obrigada =)
Oi, Mirna.
Concordo com você também, mas a proposta do texto é de mostrar o que há de Nárnia em Fronteiras do Universo, e é uma análise até meio que “contrária”. Eu já vi fãs de Nárnia (eu já fui um destes) que falam “eu não vou ler Fronteiras do Universo pois o autor não gosta de Nárnia e nem do C. S. Lewis”, o que eu acho uma besteira. A minha visão do Pó é que ele é um tipo de deus, mas foi a visão que eu tive após a leitura do terceiro livro. Claro que o legal é cada um ler e tomar a sua própria conclusão do texto, e isso é que é legal, você uma leitora da série vir, e postar a sua opinião sobre o meu texto, apontar os pontos fracos e os fortes.
E eu acho que os fãs de ambas as séries precisam de fãs como você, que não tem essa briguinha boba.
Qualquer comentário, estamos aí pra responder, e caso algo não ficou bem explicado, sinta-se livre para falar também.
Afinal ambas as séries são legais, e cada um tem seu ponto de vista
Exato! Eu só não gosto quando mistura vida dos autores. C. S. Lewis disse que os livros devem ser analisados por eles mesmos, não pelos autores. Acho essa frase ótima.
Nossa… muito boa suas comparações.