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“Encontrando Nárnia em Fronteiras do Universo” - Parte 2

Postado por Shasta em July - 11 - 2009

Segunda parte do texto sobre a relação de Fronteiras do Universo (de Philip Pullman)  e As Crônicas de Nárnia.

Para ler a primeira parte, clique aqui.

Clique em continue lendo para ler o texto.

Atenção: Este texto contém spoilers da série Fronteiras do Universo e As Crônicas de Nárnia. A ordem dos livros de Nárnia utilizado neste texto, segue a sua publicação original.

Philip Pullman, seguindo sua linha polêmica, matou Deus no livro A Luneta Âmbar, terceiro da série Fronteiras do Universo, protagonizado por Lyra e Will. Porém, podemos observar algumas semelhanças do Pó, elemento que tudo cria na série de Pullman, com Deus e com Aslam.

Na série de Philip Pullman, o Pó não é uma divinidade, muito menos um animal. Ele é apenas um tipo de partícula que mantém tudo organizado. Ele se fixa nas pessoas quando elas deixam a infância, entrando na puberdade. Ele se fixa em seu dimon, que é a alma da pessoa, e passa do dimon até o humano. Os dimons de crianças podem mudar de forma, porém quando o pó fixa, eles perdem esta capacidade. Ninguém sabe como o Pó se formou, assim como ninguém sabe como Deus se fez. Em Nárnia, Aslam não é uma divinidade com suas origens misteriosas. Sabe-se que ele é filho do Imperador de Além Mar, e o Imperador de Além Mar, sua origem e forma é desconhecida.

A série de Philip Pullman é bem diferente da de Lewis. Philip Pullman é ateu, porém falha na suposta divulgação de sua idéia. O Pó é a idéia mais correta de Deus do que em Nárnia. O Pó é invisivel e fixa dentro da pessoa, assim como o Espírito Santo. Ele é invisível e é fixo dentro de nós. Além disso, o Pó liga um universo ao outro através de aberturas invisíveis assim como o Espírito Santo nos liga a um universo invisível de comunicação com Deus. Na série de Lewis, isso não existe, já que Aslam é o todo soberano e anda livremente pela terra de Nárnia (além de ter o poder de mudar de forma).

O urso de armadura Iorek Byrnison faz o papel do Aslam para com Lyra. Iorek é o rei dos ursos de armaduras, e tem uma amizade com a garota, já que ela o libertou das garras do Magisterium. Os dois tem um relacionamento de respeito e amizade. Em A Bússola de Ouro, Iorek tem um tipo de “contrato” com Lyra, e se dispõe a ajudá-la na missão de salvar as crianças rapitadas pelos Papões para as experiências de Intercisão (tirar a ligação dos dimons com as crianças, tornando as almas-animais em apenas seus bichos de estimação).

Iorek toma seu lugar como o verdadeiro rei da cidade dos Ursos de Armadura, já que ele foi exilado por um falso rei, Iofur, e reina com sabedoria junto aos seus ursos.

Iorek Byrnison está presente nos 3 primeiros livros da série “Fronteiras do Universo” (já que A Oxford de Lyra, Era uma vez no Norte e o futuro O livro do Pó integraram a coleção) e sempre ajuda as crianças (Lyra e Will) em momentos difíceis. Ele tem um papel importante na trama, e assim como Pantalaimon, tem uma personalidade interessante e cativante. Um dos momentos mais impressionantes do primeiro volume, A Bússola de Ouro é a luta dos ursos Iorek e Iofur pelo trono de Svalbard.

Iorek Byrnison, apesar de não ser um Deus como Aslam, faz muito bem o papel de um. Sábias palavras são ditas em horas certas. O Deus, na série, é o Pó. Aslam criou o mundo de Nárnia e o governa, já Iorek, apenas governa o Reino dos Ursos Polares (ou de Armaduras). Iorek não possui sentimentos humanos (até o terceiro volume da série) porém é justo e não se deixa corromper.

Quando encontramos com Iorek pela primeira vez, somos apresentados a um urso bêbado que é empregado de uma cidade. Sua história é triste, pois ele foi machucado e feito de escravo, quando na verdade é um rei. A primeira vez que vemos Aslan, ele é citado pelo Sr. Castor, e temos uma reação diferente quando lemos seu nome, assim como as crianças em Nárnia. Logo depois, conhecemos Ele: um leão. Ele transforma o inverno da Feiticeira em primavera, e deixa tudo no lugar, o que Iorek não é capaz de fazer em A Luenta Âmbar com seus ursos. Ele tenta levá-los para o Pôlo Sul, pois mudanças climáticas aconteceram, mas percebe que deve retornar ao Pôlo Norte pois não teriam condições de viver no Pôlo Sul. Mostra responsabilidade de Iorek, assim como Aslam é responsável com suas tarefas (Aslam cuida de vários outros mundos além de Nárnia, e sempre está verificando tudo para que tudo esteja na mais perfeita ordem).

Aslam se assemelha muito com Iorek, e Iorek com Aslam. Ambas são personagens muito marcantes e importantes para as séries. Lúcia se daria bem com Iorek e Lyra com Aslam, já que ambas se parecem bastante.

C. S. Lewis e Pullman tem suas maneiras diferentes de representar algumas coisas. Um ateu e um cristão. É de se pensar no motivo da série de Pullman conter elementos bíblicos diversos.

Ron é fã da série Fronteiras do Universo e de As Crônicas de Nárnia e resolveu criar o texto para falar sobre semelhanças entre as duas séries que os fãs de ambas insistem em colocar rivalidades.

ATENÇÃO: Todos as colunas expressam a opinião de seu respectivo autor - sendo este o responsável - e não necessariamente da Equipe Narnianos.com .

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7 Comentários em ““Encontrando Nárnia em Fronteiras do Universo” - Parte 2”

  1. Ripchip says:

    Ah, não é a gente que coloca rivalidade…

    É o próprio Philip Pullman que fica falando o que não deve >.<

    Gostei muito do texto ;) Você me fez ficar com vontade de ler Fronteiras do Universo O.o

  2. Ícaro says:

    Ótimo texto e ótimas observações!
    As relações de Aslam X Iorek são realmente contrárias.
    Acho que no final até podemos concluir que sem As Crônicas de Nárnia, Fronteiras do Universo não existiria. XD Inspirou-se em algo para criar o contrário daquilo.

  3. Mirna says:

    Eu sou muito fã da série Fronteiras do Universo e li as duas matérias escritas sobre semelhanças e diferenças entre C. S. Lewis e Philip Pullman. Entre Lucy e Lyra, eu acho que não tem fundamento dizer que o nome de ambas começa com a letra L e que ambas tem 4 letras no nome. Tanto é que ambas são indiscutivelmente diferentes; e é claro que ambas têm uma missão, como em qualquer livro de fantasia e aventura, os personagens devem fazer alguma coisa, não é?
    No último livro - “A luneta âmbar”- Metatron ( A chamada Autoridade) não é realmente deus. Ele é um anjo, o primeiro a ser criado, que acha que por ser o mais velho, o mais poderoso e o mais forte, se dá o direito de dizer que ele próprio é o Criador, quando, na verdade, seria o ser preso na liteira.
    Quanto ao caso de Iorek Byrnisson e Aslan, na minha opinião, são semelhantes somente pelo fato de serem dois animais falantes e que auxiliam os personagens
    principais.
    Quanto ao Pó, ele não é o Deus da série ne mnada disso. O Pó é ( como a própria Lyra disse na série) “uma coisa que acende as pessoas”. É algo que dá aos humanos e aos seres racionais a capacidade de pensar e raciocinar. É o que nos difere do resto. A inteligência.
    É só o que eu tenho a dizer por enquanto, obrigada =)

  4. Ron says:

    Oi, Mirna.
    Concordo com você também, mas a proposta do texto é de mostrar o que há de Nárnia em Fronteiras do Universo, e é uma análise até meio que “contrária”. Eu já vi fãs de Nárnia (eu já fui um destes) que falam “eu não vou ler Fronteiras do Universo pois o autor não gosta de Nárnia e nem do C. S. Lewis”, o que eu acho uma besteira. A minha visão do Pó é que ele é um tipo de deus, mas foi a visão que eu tive após a leitura do terceiro livro. Claro que o legal é cada um ler e tomar a sua própria conclusão do texto, e isso é que é legal, você uma leitora da série vir, e postar a sua opinião sobre o meu texto, apontar os pontos fracos e os fortes.
    E eu acho que os fãs de ambas as séries precisam de fãs como você, que não tem essa briguinha boba.

    Qualquer comentário, estamos aí pra responder, e caso algo não ficou bem explicado, sinta-se livre para falar também. :)

  5. Mirna says:

    Afinal ambas as séries são legais, e cada um tem seu ponto de vista :)

  6. Ron says:

    Exato! Eu só não gosto quando mistura vida dos autores. C. S. Lewis disse que os livros devem ser analisados por eles mesmos, não pelos autores. Acho essa frase ótima.

  7. Cissa says:

    Nossa… muito boa suas comparações.

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