O site de uma das maiores revistas cristãs dos Estados Unidos, a Christianity Today, publicou uma longa matéria, revelando vários detalhes de As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada e nos dando vários motivos para ficarmos bastante otimistas com relação ao filme! Confira a tradução (em primeiríssima mão!) abaixo.
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Líderes cristãos têm visão prévia do próximo filme Nárnia e gostam do que veem; cineastas admitem “erros” em Príncipe Caspian e dão o voto de que irão acertar dessa vez.
Por Mark Moring
Os cineastas por trás dos filmes de Nárnia, admitindo que “cometeram alguns erros” em Príncipe Caspian (2008), acreditam que tenham pegado o navio correto para A Viagem do Peregrino da Alvorada, que irá aos cinemas em dezembro.
Depois do primeiro filme Nárnia, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, ter faturado quase $750 milhões de dólares ao redor do mundo em 2005, Príncipe Caspian — uma grande decepção para muitos fãs dos amados livros de C. S. Lewis— conseguiu cerca de metade daquele montante. Nos Estados Unidos, Caspian arrecadou somente $141 milhões de dólares, muito aquém do seu orçamento de produção de $225 milhões de dólares.
Mas, desde então, a Walden Media (que produziu os dois primeiros filmes) e a Disney (que os distribuiu) se separaram; Walden está agora acompanhada da 20th Century Fox para a distribuição. Um novo diretor, Michael Apted, substitui Andrew Adamson, que dirigiu os dois prmeiros filmes Nárnia (e é produtor em Peregrino da Alvorada). Essas mudanças e um renovado compromisso com a mensagem dos livros, fez com que os produtores se sintam otimistas.
“Cometemos alguns erros em Príncipe Caspian, e eu não quero cometê-los de novo”, disse Mark Johnson, produtor presente em todos os filmes Nárnia. Ele disse que em Caspian faltou algo da “magia e das maravilhas de Nárnia”, foi “um pouco agitado demais” para famílias, e muito parecido com um “filme de ação para garotos”. Ele disse que é “muito importante” para os produtores recuperarem a magia em Peregrino da Alvorada, agora em fase de edição — e ele está convencido de que eles conseguiram: “eu quero subir nos telhados e dizer que temos um maravilhoso filme de Nárnia”.
Johnson e os executivos de Fox/Walden fizeram, depois, a melhor coisa, convidando 100 líderes cristãos para o evento “Cúpula de Nárnia”, que aconteceu entre 16 e 18 de fevereiro, em Los Angeles, onde eles mostraram clips de Peregrino da Alvorada e apresentaram todo o roteiro. Apted viajou de Londres para se unir aos produtores Johnson, Micheal Flaherty e Douglas Gresham, para a apresentação a uma plateia de fãs de Nárnia — potencialmente seus maiores críticos.
Os convidados incluíram representantes de grandes igrejas (como Tim Keller da Presbiteriana do Redentor, de New York, e Mark Brewer da Presbiteriana Bel Air), organizações para-eclesiásticas (como Young Life, Focus on the Family, e Youth for Christ), editoras (Relevant e Group estavam ente elas), experts em Lewis (como Stan Mattson da Fundação C. S. Lewis), e fã-sites (NarniaWeb, Narnia Fans).
“Você poderia chamá-los de o grupo de maior responsabilidade, por isso estámos definitivamente nervosos”, disse Flaherty, presidente da Walden Media. “Nós tínhamos pessoas com conhecimentos enciclopédicos de C. S. Lewis e dos livros de Nárnia. Mas nós apresentamos todas as linhas de diálogo e todas as cenas para eles, a fim de ter certeza de que era uma adaptação realmente fiel”.
Parece “muito atraente”
O veredito? Decididamente polegares para cima, de acordo com os convidados com quem falamos.
“O que nós vimos no filme, e algumas das cenas detrás das câmeras, foi muito emocionante”, disse Steve Bell, vice-presidente executivo da Associação Willow Creek, que participou com sua esposa Valerie. “Parece muito atraente, um ótimo trabalho”.
“Parece haver um alto nível de respeito pelo material. Minha sensação é que eles realmente querem focar na autenticidade de C. S. Lewis, talvez mais do que nunca. Eles estão bem conscientes de que têm de virar o rumo de Príncipe Caspian. Eles sabem que a bola caiu, e que eles estão tentando recuperar o ímpeto”.
“Eles estão claramente fazendo o esforço para dizer que eles respeitam e entendem o foco espiritual do livro da maneira que talvez [Príncipe Caspian] não teve”, acrescentou o autor Philip Yancey, que esteve presente com sua esposa Janet. “Eles não parecem que cortaram parte alguma; eles estão se lançando com tudo neste filme e isto é uma coisa boa. Se eles puderam captar todo o amor por estes livros, será ótimo”.
Kathy Keller, esposa do pastor sênior da Igreja Presbiteriana do Redentor, Tim, sem dúvidas tem laços mais pessoais com Nárnia que qualquer dos convidados: ela se correspondeu com Lewis quando adolescente (quatro das respostas dele estão no livro C. S. Lewis’ Letters to Children), tornou-se cristã apenas como resultado da leitura de Lewis, escreveu sua tese da faculdade com o tema “C. S. Lewis’ Mythopoetic Understanding of Literature”, e hoje agradesce ao autor “como meu mentor pessoal, minha pedra de toque para uma escrita clara e eficaz, e minha posse privada”.
(Nota do editor: parte do restante desta história inclui spoilers, se você ainda não leu A Viagem do Peregrino da Alvorada)
O que eles precisam para acertar
Keller está mais interessada em “que eles tenham o Aslam certo” em Peregrino da Alvorada, e diz que está em maior parte satisfeita com o que viu e ouviu. “Estou feliz porque a interação final entre Aslam e Lúcia está inteiramente intacta, porque eu considero essa parte como o auge de todos os sete livros” (próximo ao final do livro, Lúcia está triste porque Aslam está a enviando de volta ao seu mundo e soluça, “Como nós poderemos viver, sem nunca mais te encontrar?”, Aslam a assegura de que ele está também no mundo dela, onde ele tem “um outro nome. Você terá de aprender a me conhecer por esse nome. É exatamente esta a razão porque vocês foram trazidos para Nárnia, para que, conhecendo-me aqui por um pouco, vocês pudessem me conhecer melhor lá” - [Narnianos.com: notem que o diálogo na nossa tradução em português é, infelizmente, diferente do original inglês]).
Jerry Root, um expert em Lewis e da Faculdade de Wheaton, concorda com Keller, dizendo que se eles não conseguirem fazer aquela cena direito, “eles bem que podiam acabar com a franquia e não produzir mais filme algum, porque não mais seriam as história de Lewis”.
Keller diz que eles conseguiram acertar outra cena-chave: a “desdragonização” de Eustáquio, que muitos consideram como o clímax da história (no livro, o egoísta garoto Eustáquio se transforma em um dragão devido à sua ganância; é só através da confissão e da penitência, e da ajuda de Aslam, como figura de Cristo, que ele consegue se livrar da pela de dragão e voltar a ser humano de novo). Keller diz que soube que os roteiras, originalmente, queriam que Eustáquio, ainda em forma de dragão, lutasse com um monstro marinho e “ganhasse” seu retorno para a forma humana. Mas ela disse que Flaherty, um cristão comprometido, “corrigiu-os dizendo que você não conquista Graça, você a recebe uma vez que você se torna humilde e consciente de sua necessidade”.
Flaherty falou para a Christianity Today, “este livro é o mais teológico de todos. Há mais temas complexos, particularmente a Graça, e isso não é fácil de mostrar da forma correta [em um filme]. Nós tivemos de passar um dia inteiro falando sobre a Graça e a importância de mostrar que ela não pode ser adquirida; ela tem de lhe ser dada. Isto é algo que Eustáquio não consegue sozinho; ele tem de pedir a Aslam para fazer isto por ele. Eu acho que é realmente uma ilustração poderosa da Graça”.
Um diretor agnóstico pode “entender” isso?
Mas Keller e outros não estão totalmente despreocupados. Uma curiosa decisão foi contratar um agnóstico professo, Apted, para dirigir o filme. Apesar de as credenciais de Apted serem inquestionáveis — eles dirigiu um filme de James Bond (O Mundo Não é o Bastante), uma série de documentários aclamado pela crítica (Seven Up até 49 Up), e várias biografias (Coal Miner’s Daughter, Gorillas in the Mist, e Amazing Grace, a história do abolicionista britânico William Wilberforce) — alguns se perguntam se seu agnosticismo o iria impedir de “pegar” o sentido espiritual e teológico dos livros.
O analista de mídia Mark Joseph, que não participou do evento Nárnia, mas seguiu de perto dos filmes, escreveu um artigo online, “Saving Narnia” [Salvando Nárnia, em tradução livre], dizendo que a escolha de “agravou” os problemas surgidos em Príncipe Caspian. Joseph escreveu que Apted mostrou que ele não está “a par de que tipo de fãs formam a base de Nárnia, quando ele pareceu se gabar para os repórteres sobre ter esvaziado Amazing Grace … de sua religião”. Joseph questionou, “Um diretor de um filme com temas religiosos precisa compartilhar daquelas crenças? Não necessariamente. Mas assim como o declaradamente homossexual Gus Van Sant foi uma escolha inteligente para dirigir Milk, um filme sobre um homem que também o era, ao contrário de Clint Eastwood ou Mel Gibson, então é provavelmente senso comum que filmes como Nárnia ou Amazing Grace são melhores dirigidos por pessoas que, pelo menos, não têm vergonha de sua herança religiosa, ou que parecem exultar por tirar a religião das histórias baseadas na fé”.
Flaherty comenta sobre essa preocupação: “Pode um diretor agnóstico entender os significados profundos de um livro? A resposta é sim, porque este agnóstico fez isso. Nosso interesse sempre foi encontrar o melhor diretor e, sem dúvidas, Michael Apted era o melhor diretor para este [filme]“.
Johnson, que já produziu mais de 50 filmes (Rain Man, The Notebook, The Rookie) acrescentou, “minha experiência em filmes — sejam sobre teologia, política, raça ou preocupações nacionais — é que frequentemente você consegue a perspectiva mais original e mais fiel nos temas envolvidos através de alguém que, no papel, não é provavelmente a pessoa certa. Eu trabelhei com diretores que, à primeira vista, pareciam não ser talvez a pessoa certa para o material, e eles acabam revelando o material de um modo que alguém mais próximo provavelmente não conseguiria. Michael Apted se entregou absolutamente, e eu acredito que ele foi capaz de traduzir muito fielmente o livro no filme”.
Michael Ward, autor de Planet Narnia: the Seven Heavens in the Imagination of C. S. Lewis (Oxford University Press), disse, “eu acho que um agnóstico ou, nesse assunto, um ateu poderia fazer uma boa adaptação do livro, desde que as exigências sejam sensibilidade literária, imaginação compreensiva, e juízo estético, não compromisso com Cristo. A coisa vital é que ele mergulhe no livro, e talvez até nas melhores críticas literárias do livro, e decida ser fiel ao seu espírito”.
“É curioso para mim que [Apted] foi atraído pela história”, acrescentou Yancey, “mas não é que ele não possa fazer um grande filme. Eu acho que a essa altura da produção, eles são capazes ‘assumirem a forma’ e trabalhar nela, quer acreditem nela ou não”.
Apted não estava disponível para ser entrevistado neste momento.
Keller tinha outra preocupação com o roteiro de Peregrino da Alvorada.
“Eu não estava tão feliz com a imposição de uma questão inventada para recuperar as sete espadas dos setes lordes para desfazer a magia maligna de uma feiticeira nova”, ela disse. “É uma adição relativamente inofensiva, mas como uma fã purista eu ficaria mais feliz sem isso”.
Problemas com LFG e PC
Os puristas, que alguns por brincadeira chamam de “a polícia de Nárnia”, tiveram poucos problemas com O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, e muitos problemas com Príncipe Caspian.
“Em LFG“, disse Ward, “a morte e a resurreicção de Aslam foi arruinada, porque foi intercalada com uma outra cena das preparações das batalhas. No livro, a batalha é curta e o que ouvimos é apenas uma retrospectiva. O clímax do livro é a grande coroação, não a batalha, mas os cineastas queriam uma grande batalha, introduzindo ursos polares e rinocerontes para mostrar a capacidade da computação gráfica e fizeram da coroação como um epílogozinho. É completamente nada a ver com o sentimento do conto.
Em Caspian, eles não entenderam que a história é sobre o que é o verdadeiro cavalherismo. Todos os dramas adolescentes de Pedro e Caspian foram completamente sem-senso. A invasão do castelo, colocada no meio do filme, fez ele ficar um tanto quanto “O Senhor dos Aneis“. O diretor não entendeu que os livros de Lewis tem sua própria integridade e sua precisa lógica interna, diferente dos livros da série de Tolkien. Nárnia não é, simplesmente, uma Terra Média [universo em que O Senhor dos Aneis se passa] para crianças. Nárnia é um mundo construído com cuidado - muita delicadeza e um mundo imaginativo e eles precisam ter esta sensibilidade. Aliás, eu penso que [o diretor] Andrew Adamson foi o maior desarranjo para estas duas adaptações.
Root adicionou, “O pior momento de Príncipe Caspian foi quando Lúcia viu Aslam pela primeira vez desde que retornou para Nárnia. No livro ela exclama: ‘Aslam, você está maior!’ e Aslam responde: ‘Eu não estou. Mas, cada ano que você cresce, você vai me encontrar maior’. No filme, isso vira ‘Aslam, você cresceu’, e Aslam responde: ‘Cada ano que você cresce, eu vou crescer também’. É um horrível compromisso com Lewis e uma teologia realmente ruim”.
Mas Root disse que ele encontrou muitas coisas de que ele gostou nos dois primeiros filmes, e que tem esperanças com Peregrino da Alvorada. “Embora eu não tenha concordado com tudo o que foi feito até agora, tenho apreciado com muito esforço e na maior parte eu tenho elogiado. Toda vez que Hollywood faz um filme cristão, eu me sinto encorajado. Além disso, se a primeira vez que uma pessoa conhece o trabalho de Lewis for através de um filme, e isso faça com que ela se volte para a literatura, vou estar satisfeito”.
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ATUALIZAÇÃO
Tirian, do site NarniaWeb, um dos convidados para a Cúpula de Nárnia, disse que confirma os fatos acima revelados, com exceção da feiticeira: ”eu não vi evidência alguma de uma nova feiticeira ter sido acrescentada à história”. Além disso, Paul, do site NarniaFans, comentou que há “alguma informação errada lá [no texto]“. Podemos esperar que Kathy Keller tenha entendido errado sobre a “feiticeira” e ficarmos despreocupados quanto a isso? O filme dirá…
ATUALIZAÇÃO 2
O site Christianity Today atualizou sua notícia com a seguinte informação: “CT soube através da Walden que a “nova feiticeira” não está na versão final do filme, mas sim foi retirada do roteiro durante as discussões”.
FONTE: Christianity Today | TRADUÇÃO: Narnianos.com
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O ator Zack Kibria disponibilizou agora há pouco 35 fotos dos bastidores de A Viagem do Peregrino da Alvorada, terceiro filme da série As Crônicas de Nárnia.

















































