Archive for the ‘Semana CS Lewis 2009’ Category

Semana CS Lewis: Feliz Aniversário, Jack

Querido Jack,

Gostaria de poder falar aqui que o mundo parou para ler e ouvir o que você tinha a dizer. Tudo bem, algumas poucas e bem-aventuradas o fizeram, porém a grande maioria da humanidade seguiu em frente fazendo o que sabe de melhor: roubando, matando uns aos outros, e basicamente mentindo a respeito de tudo.

O dia da sua partida foi extremamente triste, porque o mundo perdeu um grande homem, um pensador brilhante, um cavalheiro como não se encontrava mais, e um cristão dedicado e exemplar. Sim, você podia colocar em si mesmo todos os defeitos, mas ainda assim foi um exemplo para todos nós. Porém nesse mesmo dia, partiram um outro autor famoso e um presidente americano, cuja morte foi muito chocante e atraiu muita -senão toda ela - atenção. Talvez tenha sido até do jeito que você gostaria que tivesse sido: sem chamar a atenção, sem falsos elogios post-mortem, com apenas aqueles que lhe eram mais queridos ao seu lado.

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Semana CS Lewis: Obrigado, Lewis

Não sei bem como começar este texto.

Nunca conheci C. S. Lewis pessoalmente, mas conheço suas palavras. Nunca conheci o homem que ele foi fora dos livros, mas neles ele mostrou sua personalidade.

Ele foi uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci. Gostaria de ter vivido alguns anos atrás para, simplesmente, apertar-lhe as mãos.

Hoje, há 111 anos, ele nascia em uma pequena cidade da Irlanda do Norte. Nasceu como Clive Staples Lewis filho de Flora Hamilton e Albert Lewis e irmão de Warnie Lewis. Pra mim, neste dia, o mundo conheceu a pessoa mais fantástica que irá pisar no planeta.

Há 111 anos, a pessoa que mais me inspira hoje respirava o oxigênio desta terra. Deu seu primeiro choro. Seu cordão umbilical foi cortado. E sua mãe o abraçou enquanto chorava. Ela nunca imaginaria que hoje seu filho estaria sendo homenageado no mundo todo. Que seus livros chegariam ao cinema. Que suas ideias influenciassem pensamentos de hoje.

Clive Staples “Jack” Lewis sempre nascerá no coração daqueles que o amam. Daqueles que o admiram.

Jack Lewis sempre estará vivo nas páginas de seus livros. Nos seus filmes.

Jack sempre estará vivo e sempre nascerá pra mim todos os dias em que eu acordar. Toda hora em que eu lembrar de uma frase dele. E em qualquer lugar que eu vá.

Não deixe a história de Lewis morrer. Faça com que ela viva para sempre até que este mundo acabe.

E, quanto ao Jack, meus sinceros parabéns. E obrigado por ter existido.

Yours,
Ron. ¹

¹ Yours, Jack era como Lewis assinava suas cartas.

Semana CS Lewis: A cozinha do Purgatório

Tenho a impressão de que, fora o sofrimento real, os homens e as mulheres são afetados pelas doenças de forma muito diversa. Para uma mulher, um grande mal é não pode fazer as coisas. Para um homem (ou pelo menos para um homem como eu), a maior consolação é refletir: “Bem, de qualquer forma, ninguém agora pode exigir que eu faça alguma coisa!” Muitas vezes fico imaginando que um estágio do Purgatório poderia ser uma enorme cozinha onde as coisas sempre dão errado - o leite ferve e vaza, a louças se quebram, as torradas se queimam, os animais roubam comida. As mulheres têm de aprender a ficar sentadas e quietas sem se importar com nada; os homens têm de aprender a mobilizar-se e tomar certas providências. Quando os dois sexos tiverem dominado esse exercício, poderão passar para o próximo…

C.S. Lewis, em Cartas a uma senhora americana

Semana CS Lewis: Pessoas boas não conhecem tentação?

Nenhum homem sabe realmente o quanto é mau até se esforçar muito para ser bom. Circula por aí a idéia tola de que as pessoas virtuosas não conhecem as tentações. Trata-se de uma mentira deslavada. Só os que tentam resistir às tentações sabem quão fortes elas são. Afinal de contas, para conhecer a força do exército alemão, temos de enfrentá-lo, e não entregar as armas. Para conhecer a intensidade do vento, temos de andar contra ele, e não deitar no chão. Um homem que cede à tentação em cinco minutos não tem a menor idéia de como ela seria uma hora depois. Por esse motivo, as pes­soas más, em certo sentido, sabem muito pouco a respei­to da maldade. Na medida em que sempre se rendem, levam uma vida protegida. É impossível conhecer a for­ça do mal que se esconde em nós até o momento em que decidimos enfrentá-lo; e Cristo, por ter sido o úni­co homem que nunca caiu em tentação, é também o único que conhece a tentação em sua plenitude - o mais realista de todos os homens.

- Cristianismo Puro e Simples

Semana CS Lewis: O pintor e a pintura celestial

De “O Grande Abismo”. Mostra uma cena de um pintor que acaba descobrindo que não pode mais pintar.

Em O grande abismo, C. S. Lewis vale-se mais uma vez de seu incomparável talento para fábulas e alegorias. Em sonho, o escritor-narrador pega um ônibus numa tarde chuvosa e dá início a uma viagem inacreditável, atravessando Céu e Inferno.

No caminho, encontra-se com seres sobrenaturais, que fogem a tudo que ele já vira, e chega a conclusões significativas sobre as conseqüências inevitáveis do comportamento humano. É o ponto de partida para uma profunda reflexão sobre o bem e o mal. Se insistimos em conservar o Inferno (ou mesmo a Terra) não veremos o Céu; se quisermos o Céu, não guardaremos a menor, nem a mais familiar recordação do que seja o Inferno.

“Como eles chegam aqui, afinal?” perguntei ao meu Professor.

“Já vi gente desse tipo ser convertida”, respondeu, “enquanto aqueles que você poderia pensar que estivessem menos condenados voltaram. Os que odeiam o bem estão algumas vezes mais perto do que os que nada sabem a respeito dele e julgam conhecê-lo.”

“Quieto agora!” disse derepente o Professor. Estávamos de pé junto a uns arbustos e além deles vi um dos Sólidos e um Fantasma, que se tinham encontrado aparentemente naquele momento. A aparência do Fantasma era vagamente familiar, mas logo descobri que o que vira na terra não tinha sido o homem em si, mas fotografias dele nos jornais. Tinha sido um artista famoso.

“Deus!” exclamou o Fantasma, olhando ao redor para o cenário.

“Deus, o quê?” perguntou o Espírito.

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Semana CS Lewis: Ir à igreja

C. S. Lewis frequentou a mesma igrejinha durante trinta anos. A experiência não tinha nada de extraordinário a cada semana. A maior parte daqueles anos Lewis não se importava muito com os sermões; ele até mesmo sentava-se atrás de um pilar para que o ministro não visse suas expressões faciais. Ele ía ao culto sem música porque não gostava dos hinos. E saía logo após a comunhão da Ceia provavelmente porque não gostava de se envolver nas conversas com os outros membros depois do culto. Mas a longa obediência numa mesma direção moldou a vida de Lewis de um modo que nada mais poderia.

Uma vez perguntaram para Lewis: “É necessário frequentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã para um modo cristão de vida?”

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Semana CS Lewis: O deus domesticado

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Uma razão por que muitas pessoas acham a teoria da evolução tão atraente é que ela nos proporciona o grande consolo emocional de acreditar em um Deus sem termos que assumir nenhuma conseqüência. Quando você se sente disposto e o sol brilha, e você não quer acreditar que o universo todo não passa de uma mera dança mecânica de átomos, é bom estar em condições de pensar nessa grande força misteriosa como uma onda gigantesca que se move através dos séculos, carregando você na crista dela. Se, por outro lado, você estiver a fim de cometer um ato muito feio, aquela Força Vital, que não passa de uma energia cega, amoral e desprovida de mente, jamais irá interferir na sua vida da mesma forma como faz aquele Deus terrível, do qual ouvimos falar na infância. A Força Vital é uma espécie de deus domesticado. Podemos acioná-la quando bem entendemos, desde que ela não interfira nas nossas vidas. Podemos, assim, usufruir de todas as emoções da religião, sem nenhum custo.  Seria essa Força Vital a maior expressão de falsa esperança que o mundo já viu?

- Cristianismo Puro e Simples